Homenagem aos garis

Por : Sebastião Erculino

O Gari
Hoje é 16 de maio de 2020, dia do Gari. Me lembrei que no dia 16 de maio de 1994 eu estava completando dois meses e um dia, nesta profissão digna.

Lembro me do dia em que fui até a empresa Ribeiro Engenharia LTDA para fazer o meu exame médico admissional e um dos requisitos era não ter dentes estragados na boca. Eu tinha um, para burlar o examinador coloquei logo antes de entrar no escritório um algodão no buraco, não sei a que cargas d'água, mas, deu certo.

Penso que era porque eu precisava muito daquele emprego. Fui admitido, e logo na semana seguinte já estava eu, metino em problemas. Qual era o problema? o dinheiro não era o dinheiro, mas, era uma Unidade Referencial de Valor (URV).

Ninguém por mais que Expert fosse, conseguia descifrar quanto ele tinha recebido  a menos que tivesse do seu lado um bom profissional da contabilidade. Disse a meus companheiro de trabalho na hora do almoço, sentem ai nessa calçada que tem sombra e vamos discutir isso.

Que bocó era eu, saído la dos rincões de Água Doce do Norte/ES, vindo das CEBs, do STR, do PT dos anos 80, nem percebi que ali a história era outra. Mas, descobri rápido, quando o meu encarregado (Joaquim), que saudades daquele cara, sim o Joaquim me disse com sua voz baixa, pausadamente e educadamente. "olha, você é muito novo aqui, e vou te dar um conselho, eu sei que você tá certíssimo, mas, se a empresa vêr você fazendo isso, ela vai te mandar embora e eu percebi que você é gente boa e precisa desse emprego".

Travei na hora, e agora José? Mas, a "besteira" já tava feita, não falei mais nada, pois, o Joaquim estava certo, eu precisava muito daquele emprego. Depois veio outros embates de paralisações e  eu fiquei na corda bamba.

Ai veio o sindicato e numa conversa com o Amigo, companheiro e camarada José Luis Rodrigues sugeriu eu ser delegado sindical para ter segurança. Topei, eles fizeram uma Assembleia e me tiraram delegado sindical. Esta condição de delegado me deu mais segurança para continuar as conversas com os garis do barracão V (Praia do Suá) que era o meu local de lotação.

Passado alguns tempos acabei indo para o sindicato virando secretário geral da entidade e até presidente. Tivemos à frente da luta conquistando dias melhores para esta categoria. Me orgulha muito, depois de ter passado por esta categoria unida, aguerrida, invisível e essencial para a sociedade e ter chegado onde cheguei. Advoguei  justamente para essa categoria, neste sindicato que ajudei a construir juntamente com muitos outros que já se foram antes de mim.

Esta categoria, como os profissionais da saúde são serviços essenciais e estão na rua fazendo a limpeza, coletando, na boca papão estão cuidando da higiene de todos e todas. Esta categoria que por agressão a sua saúde no ofício de seu labor tem direto a aposentadoria especial, agora com o advento da MP  provisória 103/2019, são agredidos com a idade minima para se aposentar conforme ART. 19 da MP 103/19.

O gari é o gari, o informante, o que faz a higiene coletiva, o amigo, o indiferente, mas, o gari acima de tudo é GENTE e como tal deve ser tratado. Como pessoa que tem sentimentos, precisa de comida, de afeto, de saúde, de educação, de lazer, de convívio, precisa se proteger do Coronavírus, precisa de gente, porque ele é gente.

Este profissional é eu, foi eu, pode ser você, pode ser seu filho, pois, cuidar de gente é belo, é digno, é o mínimo que outra gente pode fazer.
VIVA O GARI, VIVA OS TRABALHADORES DA LIMPEZA URBANA.

Abraços

Tião Erculino.

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